Evento foi realizado durante o 30° Congresso Brasileiro de Microbiologia com a participação de pesquisadores e estudantes de diversas regiões do País.
Cerca de cem pesquisadores e estudantes estiveram presentes no segundo encontro da Rede de Pesquisas em Queijos Artesanais Brasileiros (REPEQUAB), que aconteceu no dia 7 outubro, em Maceió (AL), durante o 30° Congresso Brasileiro de Microbiologia. Além de aspectos mercadológicos e legislativos da produção artesanal brasileira, foram apresentados resultados preliminares de pesquisas feitas por integrantes da rede.
Na abertura do evento, a
professora Bernadette Dora Gombossy de Mello Franco, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas
da USP, que integra a coordenação da REPEQUAB, fez uma introdução sobre a rede,
apresentando seu histórico, objetivos e atividades já realizadas.
A primeira apresentação foi
do professor Antonio Fernandes de Carvalho, da Universidade Federal de Viçosa.
Utilizando dados de publicações científicas de pesquisadores brasileiros, ele
fez uma revisão geral sobre os queijos artesanais do Brasil, abordando aspectos
de mercado e variedades nacionais e estrangeiras, bem como a legislação
pertinente e detalhes sobre procedimentos tecnológicos, segurança e diversidade
microbiana nos diferentes tipos de queijos produzidos no País.
Na sequência, o professor
Gustavo Lacorte, do Instituto Federal de Minas Gerais, apresentou os desafios
para o atendimento da legislação brasileira na produção de queijos artesanais,
enfatizando a necessidade de integração entre a pesquisa básica e aplicada, o
setor produtor e os órgãos reguladores.
A aptidão tecnológica de
culturas microbianas para aplicação em queijos foi o tema do professor Juliano
de Dea Linder, da Universidade Federal de Santa Catarina, que explorou, entre
outros aspectos, o papel dessas culturas na conservação dos queijos pela
inibição de bactérias que causam alterações ou são patogênicas; a produção de
enzimas que atuam na maturação (tempo decorrido entre a produção do
queijo e o momento propício para sua comercialização) e também a
produção de outros compostos secundários que têm impacto no sabor, no aroma e na
estrutura dos produtos.
Já a professora Cynthia
Jurkiewicz Kunigk, do Instituto Mauá de Tecnologia, discorreu sobre a
importância do “pingo” (fermento endógeno, na linguagem científica) na
qualidade e inocuidade dos queijos artesanais brasileiros, ressaltando seu
papel na acidez, aroma, sabor, textura, segurança e diversidade microbiana dos
produtos, de acordo com resultados de pesquisas sob sua orientação. “Nossa conclusão preliminar é que se o leite for de boa qualidade, a
maturação e o pingo fazem a diferença na segurança microbiológica do produto
final”, afirmou Cynthia.
Na última apresentação, o
professor Christian Hoffmann, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP,
apresentou os resultados preliminares de estudos em andamento, focados na caracterização
do microbioma e metaboloma do queijo e microbioma do pingo, caracterização
funcional genômica dos microrganismos predominantes no pingo, avaliação da
segurança microbiológica dos queijos, dinâmica populacional dos microrganismos
presentes e fatores que influenciam a produção do Queijo Canastra.
O encontro terminou com
um debate, com significativa participação do público presente, composto por
professores e estudantes de várias regiões do País. “Houve também a
participação da Dra. Florence Valence-Bertel, do Institut National de la
Recherche Agronomique (INRA) de Rennes, França, que contribuiu com sua
expertise na área de caracterização da diversidade bacteriana em produtos
fermentados”, contou a professora Bernadette.